hiperlinque

Destaque
Campus Mobile abre as inscrições para a Edição 2014


Programa que estimula o empreendedorismo e o desenvolvimento tecnológico recebe projetos de estudantes de todo o Brasil

Leia mais >>


Projeto Spheree com tela esférica de multiprojeção em 3D é destaque internacional

SPHEREE, a tela esférica 3D de multiprojeção é destaque em congressos internacionais de tecnologia.

Leia mais >>


Entrevista com Walter Santana

Gerente Geral do IC Design House fala ao Hiperlinque News sobre o evento Esc Brazil e sobre a microeletrônica no país.

Leia mais>>

Certificação AFC (Automated Fare Collection)

O Laboratório Técnico de Segurança e Conformidade especializada do LSI-TEC lança processo de certificação de sistemas AFC.

Leia mais >>

resenha

Zonas de colaboração: conversas da MetaReciclagem

Autor: Hernani Dimantas
Editora: Editora Senac São Paulo


Leia mais>>




cronicas

A Sociedade Digital
Por Prof. Dr. João Antonio Zuffo

A ciberdireção do clube social do condomínio estava ansiosa com a perspectiva do baile das debutantes humanas de 2036.

Leia mais >>

agenda e eventos

FEBRACE
Inscrições abertas até outubro

Palestras sobre GLOBAL ITV
No The Developer’s Conference e na 17ª Semana de Engenharia Elétrica da UNICAMP

GLOBAL ITV é destaque de Grupo de Pesquisa no Intercom 2014
Debates sobre a TV Digital na América Latina

LSI-TEC no ESC Brazil 2014
4ª edição da feira reuniu os principais fornecedores da indústria de design de equipamentos eletrônicos

Projeto Spheree no Siggraph 2014
LSI-TEC participa do congresso sobre tecnologia de 3D

Leia mais >>

destaque

LSI-TEC desenvolve o EducaDaisy, um projeto de leitor de livro didático digital interativo e acessível.

A parceria entre o LSI-TEC e a Divisão de Tecnologia Educacional da Positivo Informática apresenta seus primeiros resultados

O projeto EducaDaisy, uma parceria entre a Associação do Laboratório de Sistemas Integráveis Tecnológico (LSI-TEC) e a Divisão de Tecnologia Educacional da Positivo Informática, em desenvolvimento desde 2013, apresenta seus primeiros resultados. A pesquisa foi iniciada a partir de um edital da FINEP e nasceu do interesse das duas instituições em desenvolverem um projeto interativo e didático acessível, tanto aos deficientes visuais, assim como aos videntes. A previsão de conclusão do projeto será em julho de 2015.

O EducaDaisy chega num contexto de aprimoramento da próxima geração de plataformas de mobilidade da Positivo Informática, ou seja, tablets com sistema operacional Android 4.0 ou superior. Utiliza o formato Daisy 3, uma norma de livros digitais acessíveis adotada em vários países.

A tarefa não é simples e é bastante inédita, inclusive em âmbito mundial. Com o EducaDaisy, além de buscar oferecer acesso a textos de livros tradicionais digitais,que reproduzem em áudio o conteúdo escrito, o LSI-TEC está desenvolvendo uma plataforma de conteúdo didático, com recursos avançados de leitura e interação para plataformas sensíveis ao toque (tablets e smart phones).

O aplicativo pode ainda soletrar palavras e permite que deficientes visuais façam marcações, anotações e comentários no conteúdo. Outro destaque vai para o recurso de compreensão de gráficos, mapas e tabelas. Para ensino de deficientes visuais este é um grande desafio. Geralmente, usa-se mapas táteis com desenho e texturas para oferecer uma ideia de limites, vegetação e relevo. Segundo a pesquisadora do projeto, Laisa Costa, "o objetivo do EducaDaisy é reproduzir esse efeito no tablet, com vibração e sons. Se você está se aproximando da borda, os sons ou as frequências sonoras mudam. Se você está com um dedo num vértice, também muda a frequência; ou se encosta na borda, ela vibra”.

Esses feedbacks sonoros e táteis são explorados durante a interação com o dispositivo, e analisados os impactos no entendimento desses elementos. É um processo de tentativas e ajustes. “Seguimos em testes, porque não há indicação do que vai oferecer uma sensação correta ou trazer uma noção mais exata do que está alí”, explica Laisa.

“Com o foco educacional, todo o conteúdo do EducaDaisy é direcionado para materiais que possam ser incorporados em sala de aula, tanto para pessoas sem deficiência, como para pessoas com baixa ou total redução da capacidade visual”, comenta Roseli de Deus Lopes, professora da Escola Politécnica da USP e coordenadora do projeto. Toda a exploração poderá ser feita pelo toque, reconhecimento de fala e sintetização de voz; adicionalmente à interface gráfica.

Outro teste já realizado foi o conteúdo de Quiz - jogo de perguntas e respostas -, que foi muito bem recebido pelos jovens e crianças participantes da pesquisa.

O leitor de formas está sendo desenvolvido e, nesse sentido, há a permanente coleta de retornos dos voluntários para que se amplie gradativamente os mecanismos de interação. O projeto prevê também o recurso de criação ou edição em imagens. A mesma premissa será utilizada nessa etapa permitindo abordagens de desenhos para cegos e feedback do que foi feito. Usando essa ferramenta é possível ter uma ideia do que está sendo desenhado.

Os testes funcionais contam com uma biblioteca de livros-testes, prioritariamente disponibilizados em programas educacionais como MEC-Daisy e Rede Nacional do Ministério da Cultura. Essa gama de recursos é considerada fator importante pelo Parahuari Branco da Divisão de Tecnologia Educacional da Positivo Informática que afirma “é preciso levar os recursos de acessibilidade não só para a leitura do livro mas também para o uso de conteúdos interativos como atividades, jogos e simuladores".

Para compor o projeto, foi formada uma equipe multidisciplinar com profissionais das áreas de engenharia, computação, desenvolvimento de softwares, terapia ocupacional e educação. E foram articuladas parcerias com associações de pessoas e voluntários com deficiência visual que contribuíram em projetos anteriores de reabilitação e acessibilidade. Entre as parcerias, é importante destacar o apoio do Instituto de Cegos Padre Chico, que já está aplicando testes com seus alunos.

Segundo a professora Isabel Bertevelli do Instituto Carlos Chagas, “os alunos do 9º ano conversam muito sobre tecnologia, sobre informações que ouvem na internet e nas redes sociais. Outro tipo de tecnologia, como softwares e dispositivos para cegos que ajudem na identificação de cores e cédulas ainda é um sonho de consumo de todos eles. Por outro lado, todos sabem que essa tecnologia é muito distante e cara. Mesmo assim, mostram-se muito interessados e deslumbrados com as possibilidades aprendidas com a equipe que aplica os testes”.

Um grande desafio frente à implementação total do projeto se dá pela necessidade de que todo o conteúdo seja especialmente editado para oferecer esses recursos. Os beneficiados, no entanto, não seriam poucos. Segundo pesquisa do IBGE de 2010, 23,9% dos brasileiros declaram ter alguma deficiência visual, entre eles, mais de 6,5 milhões afirmaram ter a dificuldade de forma severa e 6 milhões que tinham dificuldade de enxergar. Entre as pessoas que disseram ser cegas, estão mais de 506 mil.

O formato tablet parece favorecer o alcance do aplicativo. No Brasil, este mercado já é uma realidade em plena expansão. Em pesquisa do IDC, exclusiva ao portal G1, em 2013, foram vendidos 8,7 milhões de tablets no Brasil. Em 2014, a expectativa da IDC é que se chegue a 11,1 milhões.

Incluir a tecnologia no ensino para os deficientes visuais passa a ser um importante complemento à educação, como afirma a professora Isabel, “a escola tem a função de oferecer cada vez mais oportunidades de aprendizagem que sejam significativas e dentre elas a tecnologia faz parte”. Parahuari também acredita na acessibilidade tecnológica como ferramenta de ensino e observa as vantagens em relação aos tablets, "tecnologia hoje é um componente muito importante na estratégia educacional de uma escola. E os tablets, principalmente pela sua facilidade de uso e aspectos de mobilidade, estão se tornando cada vez mais presentes no ecossistema de tecnologia educacional”.

O EducaDaisy chega, então, como um projeto muito desafiador, mas também bastante importante para contribuir com a acessibilidade e a inclusão social. “Com isso esperamos aumentar a capacidade dessas pessoas de acessar conteúdos, criar, gerar imagens, fazer desenhos, escrever; e que isso contribua para sua inserção no mercado de trabalho”, conclui professora Roseli.


Referência pesquisa:
g1.globo.com/tecnologia/noticia/2014/03/tablet-ultrapassa-vendas-de-desktop-e-notebook-e-pela-1-vez-no-brasil.html